sábado, 25 de junho de 2016

Repórter - Ed. nº 102 (24/06/2016) - pág. 11

ALUNO DA FAMESC É APROVADO NO EXAME DA OAB ANTES DA CONCLUSÃO DO CURSO


JORNAL REPÓRTER - Gostaria que você se apresentasse. Se possível dizer seu nome, quantos anos você tem e onde você mora.
Meu nome é Ricardo Teixeira da Fonseca, tenho 52 anos e moro em Bom Jesus do Itabapoana/RJ.

JORNAL REPÓRTER - Porque você escolheu o Curso de Direito?

É uma pequena história... Sempre tive uma queda pelo direito, aliás acho que todos tem. Desde novos aprendemos a nos defender de acusações e, por impulso, acusar (não fui eu mãe!!! Foi ele!), defender amigos, acusar um desafeto, julgar uma situação... enfim, já "advogamos" em causa própria desde sempre em nossas vidas.

Quando fui prestar meu primeiro vestibular, logo assim que concluí o segundo grau, por influência dos negócios de nossa família, acabei optando por fazer o curso de Economia. O curso era noturno em Campos dos Goytacazes, na Faculdade Cândido Mendes, ia todo dia (de Kombi!). Não concluí. Abandonei.

Muitos anos depois, novamente em Campos, resolvi fazer Direito. Desta feita na FDC. Percebi ter feito a escolha certa. O Direito me encantou, mas... Ir quase todo o dia à Campos é uma missão. Nova desistência.

Mas, minha vontade de ter um curso superior, fez com que prestasse novo vestibular. Escolhi, desta vez, Administração. Um curso à distância pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ/CEDERJ) com polo em Itaperuna. Novo abandono.

Gostaria de abrir um parêntese e explicar o que é o CEDERJ. O Consórcio CEDERJ (Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro) é formado por sete instituições públicas de ensino superior: CEFET, UENF, UERJ, UFF, UFRJ, UFRRJ e UNIRIO. É um exelente projeto.

Quando iniciou em Bom Jesus o curso de Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF/CEDERJ), não pensei duas vezes: mais um vestibular. Após o início do curso tive notícia que a FAMESC, campus Bom Jesus, iria iniciar um curso de Direito. Era o que eu esperava: um curso presencial, de Direito, em Bom Jesus!

Aos 48 anos no dia 8 agosto de 2011, lá estava eu de volta aos estudos.

JORNAL REPÓRTER - Qual foi a Edição do Exame de Ordem (OAB) que você foi aprovado? Chegou a fazer alguma edição anterior a esta?

Em 2015, após efetuar minha matrícula no 9º período e já estar apto a realizar o exame de ordem, resolvi me inscrever para ir conhecendo e me familiarizando com a "barreira". Não tinha obrigação de passar e minha esperança era quase nula. Não me julgava preparado, mas consegui a aprovação.

Fiz uma edição anterior a esta, mas a aprovação definitiva só veio nesta última edição. Fui aprovado (na 1ª fase) no XVII Exame e na 2ª fase no XVIII.

JORNAL REPÓRTER - Por quanto tempo você estudou para a prova de 1ª Fase? Quais metodologias de estudo você utilizou na 1ª Fase?

Eu estava estudando para o curso regular da minha faculdade, como disse não pensava em passar de primeira, mas após ter feito a inscrição, passei a resolver questões de provas anteriores. Sempre que tinha um tempinho, tentava resolver as questões objetivas de outros exames. Baixei um aplicativo para celular e ficava "matando" questões em todo lugar: na fila do banco, na sala de espera do médico, no banheiro, ao deitar, etc... Por poucos dias é verdade, mas foi suficiente.

JORNAL REPÓRTER - Quais disciplinas você teve mais dificuldade?

Eu não tive dificuldade em nenhuma matéria em especial – todos eram desafiadoras. Pensava apenas em acertar as 10 questões de ética e estatuto da OAB, pois sabia que acertando as 10 questões teria garantido 25% para aprovação e os outros 75% teria que diluir nas 70 questões restantes. Ou seja: acertar mais 30 questões em 70. Não me parecia muito difícil (e não foi).

JORNAL REPÓRTER - Desculpe a indiscrição, mas você poderia dizer qual foi sua nota na 1ª Fase?

Acertei 56 questões das 80 propostas (exatos 70%). Mas no exame da OAB acertar 40 ou 80 questões, tem o mesmo peso. Acertando 40 questões (50%) já estaria aprovado e estaria igualmente feliz!

JORNAL REPÓRTER - Como você escolheu a disciplina de 2ª Fase? Qual matéria você sugere para os que vão fazer o exame?
Não houve um motivo específico para minha escolha... Talvez por influência do professor de prática penal, Dr. Filipe Castro, com quem eu havia estagiado na Defensoria Pública, e é um excelente professor. Acho que foi isso.

Quanto a escolha da matéria a ser escolhida para segunda fase, sugiro que o candidato escolha de acordo com a disciplina que tenha mais afinidade. Não existe essa conversa de disciplina que tem menor número de peças, que é mais fácil, etc. Os números estão aí para quem quiser ver. Basta consultar, no site da OAB, os dados estatísticos. A média de aprovação é quase igual para todas as disciplinas. Ou seja, todas são "pedreira".

JORNAL REPÓRTER – Quais as metodologias de estudo utilizadas para a 2ª Fase?

Para a segunda fase, além do curso regular da FAMESC (que é muito bom!) me matriculei em um cursinho preparatório específico para o exame da OAB. Aulas telepresenciais diárias, resolução de provas de edições anteriores e muito, muito treino. Refiz muitas provas de edições anteriores, resolvi muitas questões discursivas e assisti todas as aulas teóricas em vídeo do cursinho - e anotava tudo!

Fazia o curso pela manhã, à tarde ia para meu estágio no TJ (importantíssimo!!!) e à noite ia para faculdade (FAMESC). Respirei direito por meses. Escapulia vez ou outra, mas o foco era a prova.

JORNAL REPÓRTER - Desculpe a indiscrição, mas você poderia dizer qual foi sua nota na 2ª Fase?
Eu tirei 6.00 (o mínimo admitido). Apesar de ter estudado muito e estar muito seguro para a prova, não estava me sentindo bem nos dias que antecederam a prova. Estava com zica, um pouco de febre e diarreia (some-se a isso o natural nervosismo). Além disso, a prova de penal foi considerada uma das mais difíceis dos últimos concursos. Mas como disse um professor, "na prova da OAB 6.00 é 10.00". Nada mais verdadeiro.

Estudei para passar, mas diante da situação em que fiz o exame, o resultado final foi uma surpresa.

JORNAL REPÓRTER - Qual dica você gostaria de deixar para estudantes e bacharéis em Direito que almejam a aprovação nos próximos Exames da OAB?

Estudem! Estudem muito! Não faltem as aulas. Dicas preciosas são deixadas pelos professores ao longo do curso, e sempre nos vem à mente durante a prova.

Insistam! Não importa quantas vezes você vai prestar a prova, só passa quem a faz. Ser reprovado não é sinônimo de ser burro, do mesmo modo que ser aprovado não significa que você é um gênio.

Exame de Ordem é treino, repetição, estudo, dedicação. Mas isso tudo não basta. Tem que ter técnica. A técnica da FGV/OAB. E técnica se aprende.

É como fazer o exame de motorista: você sabe dirigir muito bem, tem a experiência, é seguro nas ruas e estradas, mas para fazer a prova para tirar a carteira de habilitação, você deve ter a técnica para fazer a prova da forma exigida.

Apenas a peça pratica não aprova, assim como somente as questões também não aprovam. No meu caso foi fiz 3.20 na peça e 2.80 nas questões. Estudem ambos! Muito.

Os alunos que buscam a aprovação, não devem se envergonhar se a aprovação não vier. Identifiquem as falhas para corrigi-las no próximo exame.

Façam um bom curso e comprem bons livros. Não é barato, mas a reprovação custa mais.

Por fim, vou me formar aos 53 anos (salvo alguma intercorrência) já com a "vermelhona" na mão.

Isso prova que nunca é tarde para começar!

Ricardo Teixeira da Fonseca - Ex-empresário, Estudante de Direito (10º período FAMESC), Conciliador do JECRIM TJRJ, estagiário do TJES e DJ nas pouquíssimas horas vagas.

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